Como vimos no Post anterior, após o surgimento dos deuses primordiais, o universo entra em uma nova fase.
Com a união entre Gaia (a Terra) e Urano (o Céu), nasce a 2ª geração dos deuses, conhecida como os Titãs.
Diferente da primeira geração, que representava conceitos abstratos, os Titãs já possuem personalidades, vontades próprias e disputas por poder.
É a partir deles que começam os grandes conflitos da mitologia grega.
O nascimento dos Titãs
Da união entre Gaia e Urano nasceram doze Titãs, divididos em dois grupos:
Os Titãs
- Oceano — as águas que cercam o mundo
- Céos (Coeus) — inteligência
- Crio (Crius) — constelações e ciclos celestes
- Hiperião — luz e observação do céu
- Jápeto — mortalidade e destino dos homens
- Cronos — tempo, colheita e sucessão
As Titânides
- Tétis — águas doces e fertilidade
- Reia — maternidade e continuidade divina
- Têmis — leis naturais e justiça
- Mnemosine — memória e conhecimento
- Febe — profecia e sabedoria
- Téia — Visão e Luz
Esses doze Titãs representam forças fundamentais do mundo segundo os mitos gregos, mas agora de forma mais organizada e ativa.
Os filhos rejeitados
Além dos Titãs, Gaia e Urano geraram outros seres poderosos:
Os Ciclopes
- Gigantes de um só olho
- Mestres da forja e do metal
- Extremamente poderosos
Os Hecatônquiros
- Gigantes com cem braços e cinquenta cabeças
- Força bruta incomparável
- Representação do caos e da destruição
Urano, temendo o poder dessas criaturas, decide aprisioná-las no interior da Terra, impedindo que vejam a luz do mundo.
Esse ato causa grande sofrimento a Gaia, que passa a nutrir ódio pelo próprio companheiro.
A revolta de Gaia

Cansada de suportar a dor, pois Gaia também é a terra onde o titãs estavam aprisionados.
Ela cria uma foice de adamante e pede que seus filhos se revoltem contra Urano.
Apesar de todos os Titãs estarem descontentes, apenas Cronos, o mais jovem, aceita o desafio.
Esse momento marca a primeira grande quebra de poder entre gerações divinas.
A queda de Urano

Quando Urano desce para se unir a Gaia, Cronos o embosca.
Com a foice criada por sua mãe, ele castra Urano, separando definitivamente o Céu da Terra.
Esse ato simboliza:
- O fim do domínio da 1ª geração
- O início do governo dos Titãs
- A primeira grande violência entre deuses
Do sangue de Urano que cai sobre a Terra nascem:
- As Erínias (espíritos da vingança)
- Os Gigantes
- As Ninfas Melíades
E da espuma formada no mar surge Afrodite, a deusa do amor.
Cronos assume o poder
Com Urano derrotado, Cronos se torna o governante do universo.
Os Titãs passam a dominar o cosmos, e esse período é lembrado como uma era de relativa estabilidade.
No entanto, Cronos herda o mesmo medo de seu pai.
Urano, antes de ser derrotado, diz:
Cronos também será destronado por um de seus próprios filhos.
Esse aviso marca o início de um novo ciclo de paranoia e violência.
O erro de Cronos
Mesmo após assumir o poder, Cronos não liberta os Ciclopes nem os Hecatônquiros.
Ele os mantém aprisionados no Tártaro, repetindo o mesmo erro de Urano.
Assim, a 2ª geração começa a caminhar para o mesmo destino da anterior.
A importância dos Titãs na mitologia

Os Titãs não são apenas uma fase intermediária.
Eles são fundamentais porque:
- Dão origem aos deuses olímpicos
- Introduzem o tema da sucessão violenta
- Estabelecem as bases do mundo governado por Zeus
Sem a queda de Urano, não existiriam:
- Zeus
- Hades
- Poseidon
- Hera
- O Olimpo
O ciclo que se repete
A mitologia grega deixa claro desde cedo que o poder nunca é estável.
E na próxima geração, esse conflito atingirá seu auge.
Futuramente detalharemos sobre cada Titã individualmente.
